02 março, 2006

Poucos merecem odes

Diz-se que as odes envolvem assuntos de nível alto.
Ignorância a minha, mas que raio significa o "alto"?
Há tanto no mundo e cada pessoa acha diferentes assuntos importantes.
Acho que não tenho perfil para escrever odes.

Ao escrever poesia penso em momentos negativos, acabo por estragar a minha intenção poética.
Sonhar é bonito, mas há-que expressar o que vai mal.
Se um dia escrever uma ode, vai ser à minha mãe.
Porquê?
Já lá chego, para isso demoro sempre mil e uma pré-explicações.
Os professores dizem sempre que nos devíamos pôr no lugar deles, sentir na pele o mesmo que eles sentem em momentos menos agradáveis durante as aulas.
Não sei bem, mas faço ideia do que é estar perante uma cambada de tótós na puberdade que se acham engraçados (mas no fundo nem se sabem comportar de maneira civilizada).
Agora...fazer o papel de mãe?
Não sei mesmo, nem faço ideia.
Ter-me como filha deve ser horrível.
Mereço muito menos do que recebo.
Sou parva e dou respostas atrevidas.
Por vezes sou estranhamente desobediente, o que deriva da preguiça.
Dou trabalho e de todas as coisas que faço, nada é realmente útil útil.
Já não gosto da escola, mas devia.
Queixo-me de parvoíces, completas futilidades.
Penso que com quase quinze anos já sei muito do mundo e um pouco da vida indeed, mas isso é mentir-me a mim própria.
Faço o que não devo, às horas erradas e de maneira confusa.
O pior pior, é ficar a pensar no raio da minha auto-estima que se afoga cada vez mais.
Tenho de fazer muitas mais alegrias à mãe, parece que não chega.
Não é nem nunca foi minha intenção ser uma má filha, mas apesar de tudo, és importante para mim. A mais importante até.
Devo-te tanto e mais um pouco.
Poso não demonstrar muitas vezes o que sinto, mas é a minha maneira.
Posso não falar, mas sabes que tens sempre um grande lugar guardado nos meus pensamentos, memória e coração.

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