20 março, 2006

O homem que levou um açoite

No ano passado, andava eu então no 8º ano, fizemos um joguinho em Língua Portuguesa. Sim, aquela professora foi a segunda estagiária que apanhei, e essas, oh, era jogos atrás de jogos. Consistia no seguinte: do jornal tinham sido recortadas várias palavras e metidas para dentro duma saca. Saca não digo, talvz saquinha. Continuando, cada aluno retirava da saquinha três palavras e a partir dessas três palavras, tinha de construir um poema.

Cá está então o meu.


Palavras: homem, brilhar e chegada.


Numa noite perfeita
Com as estrelas a brilhar,
Faz-se um homem à estrada
Para à sua terra chegar.

Tal homem viajante
Com as saudades que tinha,
Decidiu regressar
Para alegrar a sua aldeiazinha.

Tão feliz ficou a aldeia
Com a chegada do antigo aldeão,
Que até prepararam uma ceia
Com muita alegria, vinho e pão.

O homem ficou contente
Passou a noite a comemorar,
Com toda aquela gnte
Que nem sabia o que se iria passar.

Dia após dia
Noite após noite,
Nada de jeito o homem fazia
Até que levou um açoite.

Para tal coisa horrível
Quem teria descaramento?
Quem mais poderia ser
Se não fosse o velho rabugento?

E disse então o velho:
"Só te estou a chamar atenção,
A trabalhar nunca te vejo.
Diz-me lá se não tenho razão?

Se calhar até doeu
Mas de certeza que foi bem feito.
Pois porque não hás-de trabalhar,
Se já és homem com pêlos no peito?"

Esse velho rabugento
Não parava de falar.
Até que com a noite veio o vento
E um frio de rachar.

Então o homem preguiçoso
Esse momento aproveitou.
Pegou em todas as suas coisas,
Foi-se embora e nunca mais voltou.

2 comentários:

¿ disse...

lembro-me disso, sandra páscoa.

Sandra disse...

epá, é a grande desvantagem do pascoal. é tomarem-me por uma festa idiota, dum qualquer que ressucitou.